Maureen Bisilliat

Nascida na Inglaterra, chegou ao Brasil nos anos de 1950. Começou a atuar na Editora Abril em 1963. Fez trabalhos de fotografia para a REALIDADE entre 1966 e 1972. É uma das fundadoras do Memorial da América Latina.

 

 

Na época em que as... tipo O Cruzeiro, Manchete, que tinham excelentes fotógrafos também, mais jornalísticos digamos, as vezes ele recebia um rolo de filme de 36, para fazer uma matéria inteira, as vezes uma e meia. Mas nós não, era sempre um pouco... era mais ensaístico. E então eles perguntavam assim, [...] “quantos filmes que você acha que você precisa?” E era generoso porque ai também sabia que não é assim tão imediato que você vai fazer uma foto significativa e talvez nem faça.

 

[...] eles sabiam quem é quem, ou seja, não iam me mandar necessariamente pra fazer qualquer matéria esportiva, porque é outro olho, é outra maneira de agir, outra... é outra rapidez, e, inclusive, quase outro maquinário, digamos.

 

Então, eu era sempre enviada para os interiores do país, e, por isso eu devo, tudo o resto, eu devo parcialmente à Abril, porque sozinha você não teria razão nem porquê de ir nos lugares que eles me mandavam, inclusive, as vezes, provavelmente você nem sabia da existência desses lugares [...]. Então a gente era enviado para fazer aquilo que era mais próximo do que a gente poderia saber fazer. [...] eram duplas, uma dupla ia você, ia você com um escritor, jornalista, poeta, que seja.

 

Quatro Rodas foi até uma prévia imagética fotográfica da Realidade, porque a partir do Mauro Ivan, ele zelava e fazia questão de mostrar o Brasil não só através dos mapas e das distâncias, digamos porque Quatro Rodas é também um guia também, sempre, não? Sempre é. Mas sempre abria para um ensaio. E o meu ensaio primeiro foi justamente sobre o Guimarães [...].

 

A gente ficava, mesmo free lancer, ficava muito lá. Não é que só telefonava, ia lá e [...] Então a gente tinha bastante contato. Era muito gostoso, era formidável. [...] A gente não era contratada, mas a gente tinha a segurança de cada mês a gente tinha um trabalho para se fazer. Um trabalho que geralmente durava uns dez dias.

 

A dificuldade daqueles tempos foi a nossa facilidade, porque quando voltava todo mundo ficava nossa! [...] Primeiro era favorável, era animador pra gente, a gente se sentia um pouco introdu... pessoas que introduziam; E quando você chegava nesses lugares também era interessante porque você era novidade para as pessoas também. Então esse primeiro parecer e aparecer foi interessante, para ambos os lados, as pessoas tema e nós retratistas.

 

Eu acho que o que diferencia é que a gente tinha tempo, tempo era uma coisa que fazia parte. Raramente se viajava por menos de seis, sete, oito dias.

 

Eu antes de entrar, Quatro Rodas e Realidade, eu fotografava noventa e nove por cento preto e branco, por exemplo, entendeu o negócio? Então fui levada ao cromo pela atualização que as revistas tinham [...] E eu acho que quem deve ter também estimulado muito, o Zingg, eu menciono o Zingg porque ele trabalhou na Look Magazine. Que era Life, depois veio Look e Realidade.

 

Mas isso é graças à diretoria naturalmente, mas é graças à redação, aos jornalistas. A gente ajudava, fazia parte, seguindo o trilho deles. Mas, quem tinha a força e o saber, porque também não vale a pena ter força se você não sabe das coisas. Mas lá tinha um grupo de pessoas muito envolvidas de uma maneira muito séria. Então graças a eles que conseguiu-se isso.

 

BISILLIAT, Maureen. Maureen Bisilliat: depoimento [16 abr. 2013]. Entrevistadores: Carla Adelina Craveiro Silva e Marcelo Eduardo Leite. São Paulo SP, 2013. Entrevista concedida ao Projeto Realidade: o fotojornalismo (autoral) de uma revista.