Lew Parrella

Fotógrafo estadunidense, com passagem pela revista Life. Na Editora Abril, foi Chefe e, posteriormente, Diretor de Fotografia (entre 1964 e 1971). Além disso, também colaborou como fotógrafo para a revista REALIDADE.

 

 

Eu trabalhei, em geral, freelancer, aqui em São Paulo, até que o... eu não me lembro quem era, mas acho que era Roberto Civita, não tenho... não me lembro, ou Victor, pronto, Victor, era vivo naquela... me convidou, ele disse para mim ‘Lew, você é uma figura de fotografia já nos Estados Unidos, e nós gostaríamos de ter você na nossa turma’. Então eu fui convidado pela Abril para ser dire... chefe da fotografia. [...] Mas sem definição de qual, mas, depois de um tempinho, acho que era o Roberto, mas eu não me lembro exatamente, Roberto disse: ‘olha, você é muito mais um diretor de fotografia, não chefe de fotografia’, então me nomeou diretor de fotografia da Editora Abril. Então, eu era diretor de fotografia em termos gerais, eu era diretor de fotografia de todas as revistas. Eu tive um escritório, uma secretária, e toquei pra frente.

 

Nessa situação, eu fiz fotografia para todas as revistas, e indiquei fotógrafos, às vezes, para ser funcionários, outros trabalhavam freelancer, eles tinham contato com o editor, etc., etc., e tocavam, mas todos fotografando para a Abril [...] Às vezes tinha um freelancer de fora que fez trabalhos para a Abril. Mas, então, eu, então, nessa situação, eu comecei a ministrar ou indicar fotógrafos para diversos trabalhos, e eu comecei de fotografar para a Abril em geral, tanto que eu comecei de fotografar no estrangeiro...

 

Francamente, o Roberto Civita escolheu a palavra Realidade porque ele copiou, eu não tenho medo de dizer isso, aparentemente, ele copiou da palavra Réalité, que é um nome francês de uma reali... de uma revista francesa.

 

Eu só sei que todos os fotógrafos que trabalharam para a Abril tinham diversas razões para serem selecionados pelo trabalho que foi feito.

 

Quem trabalha na revista de realidades devia aceitar que o foto... devia aceitar o que o fotógrafo acredita que seja, ele tem que ter essa atitude, senão ele está... ele deve estar noutro trabalho, entendeu? [...] Ele devia, se ele tivesse... É por isso que é importante o quê que o fotógrafo acredita.

 

Eu tinha título ‘Picture Editor’, mas eu não... eu não... eu tive uma atitude flexível, eu não... não era determinante, sobre o... Em geral, essa minha atitude da fotografia em geral. Então, com a revista Realidade, eu simplesmente confiava nesses fotógrafos diversos, porque eu conhecia os fotógrafos, e eu achei que não era débil mental, era boas pessoas, eu podia confiar. Eu não tinha, exatamente, por exemplo... Para mim, fotografia não é assim, fotografia era... era... Porque eu... Olha, fotografia era assim, você tem uma câmera, você em frente ao... e qual é o momento que você escolhe? Só tem a sua consciência, o quê que você acha interessante...

 

Eu acho que a Realida... a revista Realidade, pretendia isso, pretendia dizer o que é a realidade. Eu acho que a intenção deles, era... como eu disse, era definir o que é realidade [...]

 

Foi a oportunidade de fazer consciente do momento da fotografia... de fazer o fotógrafo consciente do momento, de fazer foto, fazer ele consciente do momento, e não... e não imagem fotográfica qualquer [...] em certo sentido, a Realidade pretendeu mostrar a significação do momento, por isso que foi chamado Realidade, porque considera mais importante o momento, não a simples documentação.

 

PARRELLA, Lew. Lew Parrella: depoimento [29 jun. 2013]. Entrevistador: Marcelo Eduardo Leite. São Paulo SP, 2013. Entrevista concedida ao Projeto Realidade: o fotojornalismo (autoral) de uma revista.